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sexta-feira, julho 22, 2011

Jornalismo mochileiro

V

quarta-feira, agosto 27, 2008

Da janela

segunda-feira, março 03, 2008


O gaúcho,
um pobre-diabo

Décio Freitas (*)

Para falar a verdade, o "monarca das coxilhas" ou "centauro dos pampas", não passava de um pobre-diabo. O trabalhador da economia pastoril - peão, posteiro, tropeiro, etc. nada tinha da difundida imagem do gaúcho: altivo, independente, rebelde.
A imagem corresponde a uma mistificatória construção ideológica: ninguém mais submisso e conformista do que o trabalhador pastoril. Tratava-se de uma classe social impotente para fazer valer seus interesses e suas aspirações.
Provinha isto, em primeiro lugar, da sua disposição, da sua fragmentação e do seu isolamento territorial. Não fazia falta, mais que meia dúzia de homens para cuidar de uma estância de 10 mil cabeças de gado. Imensas distâncias separavam e incomunicavam os grupos de trabalhadores das diferentes propriedades, impedindo qualquer articulação e organização profissionais.
No âmbito interno da estância, apresentavam-se limitações não menos estreitas. O pequeno grupo de trabalhadores rurais não podia, por exemplo, paralisar coletivamente o trabalho. Um denso exército-de-reserva de peões andava sempre a perambular de estância em estância em busca de trabalho.

Não bastasse isso, no sistema de produção pastoril as contradições e os antagonismos de classe assumiam forma extremamente moderada. O pastoreio se apresentava como sistema de produção eminentemente natural, em que a maior parte do tempo de produção se processava sem intervenção de muito tempo de trabalho social. A produção do boi-mercadoria constituía o resultado do simples transcurso do tempo. Para que o animal atingisse a idade econômica em que se podia introduzi-lo na circulação, havia que esperar pelo menos cinco anos.
Mais ainda, a incorporação de trabalho social ao processo de produção natural se dava de maneira esporádica e intermitente. Interrompido o processo de trabalho social, prosseguia o processo de produção natural. No decurso desse processo, o capital-boi ficava fora do processo de trabalho, exposto apenas à ação de agentes naturais, como a qualidade das pastagens, as chuvas, as secas, as epizootias.

O processo de produção natural, evidentemente, não conferia nem agregava ao capital-boi qualquer valor econômico, de uso ou de troca, ou seja, não gerava mais-valia, fonte da acumulação capitalista. Fazia-se necessário trabalho social; este, porém, em quantidade muito escassa. As limitações naturais impediam o aumento da mais-valia absoluta - a extorsão de mais trabalho do peão na mesma jornada de trabalho.
O atraso técnico, por outro lado, obstava a um aumento da mais-valia relativa. Isto tudo quer dizer que o peão era um trabalhador pouco explorado, gozando ao mesmo tempo de alimentação farta e muito tempo de ociosidade. O antagonismo de classe assumia, portanto, uma forma extremamente branda. Tanto devido ao sei isolamento territorial como à rudeza de um trabalho em contato com animais bravios, o peão vivia em estado de completo embrutecimento.
A imobilidade e a rotina marcavam sua vida e seu trabalho. Sem contato com o mundo exterior - vivia praticamente confinado à estância - não mantinha qualquer intercâmbio de idéias. Não questionava os valores dominantes e não formulava qualquer projeto transformador.
Como conseqüência direta, encontrava-se totalmente dominado pela ideologia dos seus patrões. Um dos componentes desta ideologia era um extremado individualismo, que se manifestava nas horas de lazer e nas relações com seus iguais através de atitudes varonis, de combates singulares e de exibições de altivez.

Afora isso, afirmava-se orgulhosamente na lida em torno dos seres irracionais que constituíam o objeto do seu trabalho. Não é dizer, naturalmente, que não houvesse luta de classes. Ela apenas se desenvolvia nas suas formas mais elementares e dissimuladas. O gaúcho não apenas não enfrentava o patrão, mas também assumia, perante ele, uma postura submissa e reverencial. A dominação não se exercia apenas a nível econômico e ideológico.
Tratava-se uma sociedade militarizada em que cada estancieiro era um empresário-guerreiro, sempre de armas na mão e em pé-de-guerra contra os castelhanos, contra seus competidores políticos, contra o Poder Central. Os peões estavam enquadrados nesta estrutura militar, cuja pesada compressão dissuadia qualquer protesto. Nas campanhas militares empreendidas pelos seus patrões, entretinham uma ilusória sensação de liberdade e independência; no curso delas, podiam lutar, matar e pilhar.

Soldados incomparáveis na luta pelos interesses dos seus dominadores, formavam entretanto uma massa apática e medrosa na luta pelos seus interesses próprios. A isto se deve uma das singularidades históricas oferecidas pelo Rio Grande, a saber, a de que foi no passado a única região brasileira em que não se registra uma única insurgência das classes subalternas. Celebrado como rebelde, o gaúcho todavia nunca se rebelou. As rebeliões que se conhecem, sempre foram rebeliões dos seus dominadores.
A apatia e a submissão do gaúcho, ou para dizê-lo de outra forma, a sua importância revolucionária, conferiam aos dominadores uma excepcional força político-militar. Se eles podia se insurgir contra o Poder Central, por exemplo, isso se devia precisamente à fácil capacidade de mobilização e desmobilização daquela massa de manobra.

O contrário se dava em outras regiões brasileiras, como o Nordeste, onde os impulsos insurrecionais das classes subalternas, manifestados de forma freqüente e intensa, não consentiam o luxo de armar e levar à luta a massa de explorados. É necessário insistir: em nenhuma região brasileira a luta de classes apresentou um nível tão baixo como no Rio Grande do Sul. Este mesmo pobre nível da luta de classes, por sua vez, explica a longa estagnação relativa da economia pastoril gaúcha. O caso ilustra exemplarmente a tese de que não há progresso sem luta de classes. A acumulação foi despicienda na economia pastoril gaúcha devido exatamente à módica taxa de mais-valia extraída dos peões.
A debilidade dos peões como classe social, ao mesmo tempo, não atuou como fator de aumento da taxa de mais-valia relativa, ou seja, o aprimoramento tecnológico. A imagem do gaúcho independente e lutador representa uma das mais competentes construções ideológicas da elite dominante.
......
(*) Historiador gaúcho, já falecido.
Publicado em setembro de 1986

sexta-feira, fevereiro 22, 2008





Evilazio de Oliveira
anuncia
novidades para
o site cartadigital.com

quarta-feira, dezembro 06, 2006


Diário aposta em
jornalistas móveis

Segundo reportagem do The Washington Post, o diário The Fort Myers News-Press, também americano, está usando 14 jornalistas móveis - ou "mojos" (abreviação do inglês "mobile journalists") -, ou seja, profissionais que alimentam o site do jornal durante o dia munidos de equipamentos como laptops, gravadores digitais e câmeras de vídeo.
Um dos repórteres do jornal, Chuck Myron, de 27 anos, é apresentado na matéria como um dos jornalistas móveis que não possuem escritório. Myron utilizaria seu próprio automóvel como redação.
A reportagem do The Washington Post pode ser lida na íntegra
aqui (em inglês). Via Cyberjournalist.
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Fonte: www.jornalistasdaweb.com.br e publicado com autorização do editor.

 


www.g1.com.br